sexta-feira, 18 de julho de 2008

Retorno

Faz algum tempo que não venho aqui escrever. Tirei umas "férias" forçadas e retornei agora para continuar a plasmar o que me vai na alma, no decorrer desta Senda. Quero deixar aqui um pequeno texto que recolhi e que achei muito interessante para todos os que buscam a sabedoria:

Certo dia um jovem foi visitar um sábio, a quem perguntou: "Senhor, o que devo fazer para tornar-me um sábio?" O sábio não se dignou responder. Depois de repetir a pergunta certo número de vezes sem melhor resultado, o jovem foi embora, mas voltou no dia seguinte com a mesma pergunta. Não obtendo resposta ainda, voltou pela terceira vez e novamente fez a pergunta: "Senhor, o que devo fazer para tornar-me um sábio?"
Finalmente o sábio deu-lhe ouvidos, e então desceu a um rio próximo. Entrou na água convidando o jovem e levando-o pela mão. Quando alcançaram certa profundidade o sábio, pondo todo seu peso sobre os ombros do rapaz, submergiu-o na água, apesar dos esforços que este fazia para livrar-se. Por fim o sábio largou-o, e quando o jovem recuperou alento perguntou-lhe:
"Meu filho, quando estavas debaixo de água o que mais desejavas?"
O jovem respondeu sem hesitar: "Ar, ar! eu queria ar!"
"Não terias antes preferido riquezas, prazeres, poder ou amor, meu filho? Não pensaste em nenhuma dessas coisas?" indagou o sábio.
"Não, senhor! Eu desejava ar, só pensava no ar que me faltava", foi a resposta imediata.
"Então", disse o sábio, "para te tornares sábio deves desejar a sabedoria com a mesma intensidade com que desejavas o ar. Deves lutar por ela e excluir de tua vida qualquer outro objetivo. Essa e só essa deve ser, dia e noite, tua única aspiração. Se buscares a sabedoria com esse fervor, meu filho, certamente tornar-te-ás sábio."

4 comentários:

Hermeticum disse...

É sem duvida um texto muito bonito. Podemos saber de onde o retiraste?

Phtah disse...

Obrigada pelo comentário, hermeticum. Este texto insere-se na Introdução do livro de Max Heindel, "Conceito Rosacruz do Cosmos". O seu conteúdo apresenta um esboço evolutivo do homem e do universo, correlacionando ciência e esoterismo, numa linguagem concisa, simples, ainda que tratando de assuntos complexos. Para quem se dedica à investigação eclética destes assuntos(entenda-se do original grego, que significa "escolher d'entre", ou seja, discernir entre o que é válido e o que não é válido), é algo a ler, pois é tido como uma obra de referência do cristianismo esotérico na perspectiva rosacruz, não descurando, como é óbvio, todas as outras fontes de saber.

rogerio franco disse...

Como acontece em todas as parábolas, geralmente protagonizadas por sábios, é preciso, além de tirar a lição, desenrolar as novas questões que a primeira suscitou. Até porque, por vezes, estas parábolas são mal pensadas, como é o caso. Onde irá ele encontrar um meio de se "afogar" com falta de sabedoria?
Assim como prefiro distingur a diferença entre ar puro e poluído, também prefiro saber distinguir a diferença entre sabedoria e saber. Os peixes também parecem preferir distinguir a água pura da imprópria à sua "respiração". Mas são só peixes. Não os julgo. Lá vivem "felizes" com a harmonia da sua vida com os outros peixes.
Num meio onde há ausência de sabedoria, o jovem não irá encontrá-la, nem o seu caminho, nem as respostas. Correrá o risco de se tornar um "peixe", ser feliz com a harmonia da sua vida entre todos os outros "peixes".

Phtah disse...

Uma parábola é uma narrativa que possui sempre uma lição moral ou ética implícita ou explícita, simbólica ou directa. E sim, servem para reflectir, mas há que ter cuidado com os meandros do pensamento que se não forem bem regrados transformam-se em labirintos de onde não sai sabedoria alguma. Se quiser um exemplo de um "meio" onde há falta de sabedoria, não tem mais que olhar em redor, para o mundo em que vivemos, onde predominam todos os vícios e a miséria, fisica e ética e moral. A característica que nos distingue dos animais é a capacidade mental que temos e que, entre outras coisas, nos permite discernir o correcto do errado. Assim, só seremos mais um peixe no meio dos outros todos, se assim o quisermos, porque a reflexão sobre nós mesmos, dá-nos gradualmente muitas respostas, que não provém de lado algum senão do nosso interior. Mais uma vez cito Sócrates, "Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o Universo e os Deuses".

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